Pará é campeão em AVC's

É como se estivéssemos mergulhados numa guerra global onde milhares de pessoas fossem mortas todos os anos. O Acidente Vascular Cerebral (AVC), ou derrame cerebral, que já matou cerca de 17 milhões de pessoas em todo o mundo, é a primeira causa de incapacitação e redução da qualidade de vida e a terceira principal causa de morte no globo hoje.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o Brasil já ocupa o sexto lugar na lista das maiores vítimas de derrame, em números absolutos, atrás da China, Índia, Rússia, Estados Unidos e Japão. No Brasil, o número de mortes chega a 100 mil por ano. Só no Pará, apenas este ano, os AVCs já ocasionaram o óbito de 1.051 pessoas. O Estado é hoje o campeão em incidência na região Norte e o décimo primeiro no país. Dados do último Censo de 2007 mostraram que no Pará as doenças cardíacas e cardiovasculares são as que mais causam mortes de pacientes internados, superando até doenças infecciosas.
O AVC é um derrame que resulta da falta ou restrição de irrigação sanguínea no cérebro, que pode provocar lesão celular e alterações nas funções neurológicas. O presidente da Sociedade Paraense de Cardiologia, Kebler Ponzi, explica que o número de mortes é elevado porque muitas pessoas não procuram unidades de saúde quando apresentam os sinais característicos do AVC, além de nem sempre saberem quando estão tendo sintomas de derrame. “Geralmente não existe sintoma avisando que o derrame vai acontecer, por isso falamos que a doença é silenciosa”.
Foi o que aconteceu com a dona de casa Benedita Campos, 69 anos, que sofre com pressão alta desde os 40 anos, e toma remédio para controlar o problema há mais de 20 anos. Ela, que mudou completamente hábitos alimentares, aboliu o sal da alimentação e uma vez por mês se consultava com um médico. Mesmo com todos esses cuidados, a dona de casa teve um AVC e ficou hospitalizada durante oito dias. “Eu estava bem, minha pressão estava controlada. Do nada, comecei a passar mal e apaguei”, lembra ela, que por sorte não ficou com nenhuma sequela. “A única sequela que fiquei foi o medo de voltar a ter outro derrame. Estou mais cautelosa ainda”.
Dona Benedita teve sorte. Segundo dados do Ministério da Saúde (MS), apenas 2% das vítimas conseguem ser salvas após sofrerem um AVC. Os pacientes devem ser atendidos em até três horas após o início dos sintomas e, preferencialmente, em até 90 minutos. “Quanto mais rápido o atendimento melhor será a recuperação e a reabilitação do paciente”, afirma Ponzi, lembrando que o principal fator de risco para o AVC é a hipertensão arterial. Quando devidamente controlada, se reduz significativamente as taxas de incidência do derrame. A hipertensão é responsável por 80% dos casos de AVC no Brasil. Diabetes e colesterol alto, obesidade e o sedentarismo também são considerados fatores de risco.
PELA BOCA
Para minimizar o risco de o paciente ter um AVC, a alimentação é forte aliada. A nutricionista e professora do curso de nutrição da Universidade Federal do Pará, Vanessa Lourenço, explica que o consumo excessivo de alimentos ricos em sódio, como os industrializados, favorecem o aparecimento da hipertensão arterial sistêmica. Já excessos no consumo de alimentos ricos em gorduras, principalmente as saturadas, promovem o aumento do colesterol e do peso corporal, aumentando o risco de obesidade. “Não é preciso abolir alimentos do cardápio, mas, sim, evitar. As práticas de alimentação saudável são fundamentais para prevenção do AVC”, conclui.
Para quem tem pressão alta, os cuidados devem ser redobrados. Desde quando se descobriu hipertensa, a dona de casa Mariúza de Moraes mudou completamente sua rotina, mas ainda não se acostumou com a ideia de ser hipertensa. “É uma doença chata que a gente tem que cuidar todos os dias, pela vida inteira”, desabafa. “Tomar açaí e a minha cervejinha, nunca mais. Só uma vez ou outra e olhe lá”, lamenta.



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