O Festival Pan-Amazônico de Cinema chega à sua segunda edição em Belém, no Pará, de 3 a 7 de novembro, com o objetivo de mapear, exibir, divulgar e apresentar um panorama diversificado da produção audiovisual do Brasil, Venezuela, Peru, Equador, Bolívia, Colômbia, Guiana Francesa e Suriname. O II Festival Pan-Amazônico de Cinema, realizado pelo Instituto Culta da Amazônia, com patrocínio da Oi e apoio cultural do Oi Futuro e Ecleteca Cultural, é também um espaço para a discussão de trabalhos que através do audiovisual, constroem um diálogo com a vida social e a diversidade cultural.
Em sua primeira edição, no ano passado, foram quase quatro mil pessoas assistindo às exibições e workshops; 42 filmes exibidos - 19 participaram da mostra competitiva - e cinco oficinas realizadas para 194 alunos. O Amazônia Doc levou à Belém filmes e 34 cineastas e pensadores do cinema de diferentes países da região, oferecendo ao público a possibilidade de conhecer exemplares da produção de lugares pouco explorados no circuito local. As oficinas proporcionaram a formação inicial e o aperfeiçoamento de quase 200 profissionais. O grande vencedor do festival foi o filme do cineasta americano Daniel Junge, com Mataram Irmã Dorothy. Inicialmente voltado ao documentário, o Festival se expande e agora abre espaço também para o cinema de ficção.
Mostra Competitiva 2010
As inscrições para a Mostra Competitiva encerraram no dia 30 de agosto, com a marca de 150 filmes vindos de todas as regiões do Brasil. Além de Belém, o festival recebeu trabalhos de cineastas de São Paulo (SP), São Luís (MA), Manaus (AM), Rio de Janeiro (RJ), Curitiba (PR), Rio Branco (AC), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Goiânia (GO), Recife (PE), Fortaleza (CE), Palmas (TO), Aracaju (SE), Salvador (BA), João Pessoa (PB) e Campina Grande (PB) e também da Colômbia, Equador, Venezuela, Peru e Bolívia.
Na categoria Documentário, foram selecionados os filmes Terras, de Maya Da-Rin (RJ); Belair, de Noa Bressane e Bruno Safadi (RJ); Tamboro, de Sérgio Bernardes (RJ); Um Lugar ao Sol, de Gabriel Mascaro (PE); Carregadoras de sonhos, de Deivison Fiúza (SE); Terra Deu Terra Come, de Rodrigo Siqueira (SP); Nos Caminhos do Rei Salomão, de Chico Carneiro (PA); O Areal, de Sebastian Sepúlveda (Chile/Brasil); Fordlândia, de Marinho Andrade e Daniel Augusto (SP); Camisa de onze varas, de Walério Duarte (PA), Rosto no Espelho, de Renato Tapajós (SP); Mãos de Outubro, de Vitor Lima (PA); KinOpoÉticas – Torpellino, de Pedro Dantas (Colômbia/Brasil); Arte do açúcar, de Adelina Pontual (PE); Confessionário, de Leonardo Sette (PE); Periferias Interiores, de Sérgio Gracia Locatelli (Peru/Espanha); Aperreio, de Doty Luz e Humberto Capucci (MA) e Munganga, de Lineu Gabriel e Laboratório Cisco (SP).
Na categoria Ficção, os selecionados foram: Quando a chuva chegar, de Jorane Castro (PA), Essa não é a história de Gregor Samsa, de Thiago Luciano (SP); Ernesto no país do futebol, de André Queiroz e Thaís Bologna (SP); O Lugar das Histórias, de Luiz Felipe Botelho (PE); Avós, de Michael Wahmann (SP); Vela ao Crucificado, de Frederico da Cruz Machado (MA) e Naiá e a Lua, de Leandro Tadashi (SP).
Eles disputarão os prêmios de Melhor Longa e Melhor Curta Documentário; Melhor Longa e Melhor Curta de Ficção; Melhor Direção; Melhor Roteiro e Melhor Filme Eleito pelo Voto Popular.
Novidade
Dada a qualidade dos filmes recebidos, o Comitê de Pré-Seleção, composto pelos cineastas/ críticos paraenses Zienhe Castro; Arnaldo Prado Jr; Fernando Segtowich; Dedé Mesquita; Marco Moreira e Felipe Pamplona, sob a coordenação de Augusto Pacheco, decidiu abrir mais uma janela de exibição no estival: uma Mostra Paralela, composta por 22 filmes.
Desta forma, o Amazônia Doc ganha mais sete dias de programação, sendo realizado de 3 a 14 de novembro de 2010. Ambas as mostras – Competitiva e Paralela – acontecem no Cinema Olympia, que do alto de seus 98 anos de existência, figura como o cinema mais antigo do Brasil ainda em funcionamento.
Além das mostras Competitiva e Paralela, o festival contempla ainda as mostras Forumdoc.bh, que traz um recorte do festival homônimo, que acontece já há 13 anos na capital mineira, e a mostra ABD da Amazônia Legal, realizada pela Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas do Pará – ABDeC-PA.
Programação se desdobra para além das salas de exibição
Mais do que exibição de filmes, o Amazônia Doc. inclui em sua programação atividades práticas e reflexivas, contribuindo para a democratização do acesso às técnicas de diferentes áreas do cinema e também estimulando o debate e a formação crítica. O cineasta moçambicano Victor Lopes assina a curadoria da Mostra Pan-Amazônica de Cinema e do 2º Seminário Pan-Amazônico de Documentários. Os interessados no aprendizado e no debate das técnicas cinematográficas também poderão participar de cinco oficinas gratuitas, que a exemplo do ano passado, serão ministradas por profissionais de renome.
Nesta edição, o Festival conta com a participação do animador gaúcho Otto Guerra, que ministra Animação para Documentários; e o teórico, crítico, escritor e cineasta Jean-Claude Bernardet, que fará duas sessões comentadas. Os educadores Luis Carlos Pavan e Careimi Ludwig Assmann ministram a já consagrada Meu pequeno cinema, atividade voltada ao público infantil que já circulou o Brasil inteiro. O crítico de cinema José Carlos Avellar também deve participar do Amazônia Doc como conferencista de abertura do Festival. Isabelle Cabral, diretora da distribuidora Pipa Produções e o diretor da produtora Lume Filmes, Frederico Machado, confirmaram presença no Seminário Pan-Amazônico de Cinema, que conta ainda com a participação de Karen Harley (Brasil), Rosana Matecki (Venezuela), Juan Carlos Valdivia (Bolivia), Tania Hermida (Equador) e Cláudia Mesquita (Brasil), Rodrigo Siqueira (Brasil).
Acreditando na força do cinema como instrumento pedagógico complementar ao ensino formal, o Amazônia Doc 2010 reserva um espaço especial aos alunos e professores das escolas públicas da região metropolitana de Belém. Eles terão vagas reservadas nos seminários, oficinas e exibições que compõem a programação.
Sessões de encerramento e abertura
Selecionado para o Festival de Veneza, onde fez sua premiére mundial, Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo vai abrir o II Amazônia Doc no dia 3 de novembro. O filme é uma obra experimental dos cineastas Karim Aïnouz, (Madame Satã e O Céu de Suely) e Marcelo Gomes (Cinema, Aspirinas e Urubus).
Lixo Extraordinário (Waste land), direção conjunta de João Jardim (Janela da Alma e Pro dia Nascer Feliz), da cineasta Karen Harley e da documentarista inglesa Lucy Walker, foi confirmado para a sessão de encerramento, no dia 7 de novembro. O filme recebeu os prêmios Especial do Júri e Melhor Documentário no Festival de Paulínia de 2010, e foi premiado também no Festival de Berlim e no Sundance Film Festival deste ano.
SERVIÇO
Festival Amazônia Doc 2010 – Festival Pan-Amazônico de Cinema
Em Belém, de 3 a 14 de novembro, no Cine Olympia, Cine Líbero, e Instituto de Artes do Pará
Realização: Instituto Culta da Amazônia, com patrocínio da Oi por meio da Lei Semear.
Apoio: Oi Futuro e Ecleteca Cultural.
Mais informações no site www.amazoniadoc.com.br e pelo telefone (91) 3224-6159.